PJR

Há 37 anos, em 1983 no Rio Grande do Sul, teve inicio uma organização da juventude camponesa. Juventude esta, que queria defender seus direitos, ter uma vida digna na roça, conhecer e estudar sua realidade para nela atuar. Atuação sempre em defesa da vida , daqueles que amam e que cuidam de seu chão, sua mãe, que lhe da seu sustento permitindo a continuidade da vida…a terra. Esta organização recebeu o nome de Pastoral da Juventude Rural.


          Isto se deu em virtude do seu espaço de atuação: o campo e a identidade das pessoas envolvidas: jovens; cristãos, que participam de uma Igreja; e camponeses, isto é, jovens que querem permanecerem na roça.Sendo uma pastoral e tendo como seu objetivo eclesial a construção do Reino de Deus, à luz da prática de Jesus Cristo, a PJR se vale de muitos meios para forjar um jovem cristão em sua prática.A missão da PJR é ser um meio de atuação da juventude camponesa na construção de uma sociedade justa e fraterna, para além do capital.


    A PJR busca formar jovens cristãos conscientes de seu papel na história e na sociedade.Jovens que sejam profetas, denunciando tudo o que causa morte das pessoas e da natureza, vivendo de forma coerente (testemunho) e anunciando a Boa Nova proclamada por Jesus: que o povo oprimido irá se libertar. Jovens que buscam a vida em abundância, cuidem da natureza, partilhem, cultivem a união, a solidariedade… Jovens que estão sempre a caminho, indo ao encontro a outros jovens, colocando-se a serviço, na gratuidade. Jovens que se reúnam em grupos, partilhem conhecimentos, cresçam enquanto sujeitos no processo histórico que vivemos. Jovens que contribuam na comunidade e sintam-se livres para participar das manifestações e lutas populares. Enfim,  que evangelizem a juventude pelo seu jeito e tenham a abertura para que o jeito dos outros jovens os evangelizem.Em outras palavras: ser uma ferramenta através da qual a juventude camponesa possa atuar na construção do Reino de Deus, ou seja de um projeto popular para o Brasil e nele um projeto popular para campo. Assim, a juventude camponesa também é protagonista nessa construção.

História e Missão

"Quando o povo se organiza a Igreja se torna viva e libertadora".

Frei Jessé

Missão

Em cada período histórico, em sintonia, com os sinais dos tempos que se manifestam no processo histórico em andamento, com o Evangelho e com a caminhada da Igreja no Brasil, a PJR, compreendendo-se como parte das PJB – Pastorais da Juventude do Brasil, atualiza a sua missão.

 

Na VI ANPJR, que aconteceu em Catú, na Bahia (março de 2009), definimos que a Missão da PJR, e em Piúma, no Espírito Santo (novembro de 2010), no Seminário Nacional, a revisamos. A PJR, como Igreja, tem por missão:

 

Evangelizar e conscientizar a juventude camponesa,
especialmente as jovens e os jovens empobrecidos, e
formar militantes cristãos,
discípulos missionários e discípulas missionárias de Jesus Cristo,
para contribuir na transformação da sociedade
assumindo a construção do Projeto Popular de campo, articulado ao de sociedade,
e lutar pela vida do Planeta Terra (Gaia).

 

         Vamos retomar a missão, passo por passo:

 

1.Evangelizar[1] a juventude camponesa através:

 

  1. Do serviçosolidário e gratuito; do diálogo aberto e franco; doanuncio da boa nova do Reino; do engajamento em um grupo (testemunho de comunhão)[2];

  2. Do profetismo[3](anuncio, denuncia e testemunho), diante dos desafios da sociedade;

  3. Do seguimento da pratica libertadorade Jesus de Nazaré, como Igreja, na construção do Reino de Deus[4].

  4. Conscientizar[5]especialmente as jovens e os jovens empobrecidos do campo contribuindo:

  5. Na formação da consciência crítica e política;

  6. No conhecimento da historia da luta do povo;

  7. Na apropriação da cultura[6]camponesa e resistência contra a aculturação;

  8. Formar militantes cristãos[7], discípulosmissionários e discípulas missionárias[8], para:

  9. Conhecer as juventudes e seu contexto;

  10. Realizar trabalho de base, visando o engajamento de mais jovens;

  11. Ajudar na nucleação de grupos de jovens;

  12. Contribuir na articulação entre grupos;

  13. Contribuir na organização da PJR e formação de protagonistas;

  14. Participar da comunidade e contribuir na renovação eclesial;

  15. Engajar-se nas “esferas do Reino[9]” que existem na sociedade atual em vista do ascenso do movimento de massa, da transformação da sociedade e da construção de um projeto justo e solidário;

  16. Vivenciar os valores cristãos, especialmente o serviço, a solidariedade e a partilha.

  17. Contribuir na transformação da sociedade assumindo a construção do Projeto Popular[10]de campo articulado ao de sociedade, através:

  18. Do debate deste projeto com a juventude (participação popular);

  19. Da vivência da agroecologia como modo de vida e principio de produção;

  20. Da construção e efetivação da Educação do Campo e no campo[11];

  21. Da democratização da renda e geração de trabalho;

  22. Da soberania alimentar e energética;

  23. Da construção de espaços de lazer e arte-cultura;

  24. Da comunicação popular;

  25. Da democratização da terra e luta pela reforma agrária;

  26. Da vivencia de novas relações de poder (gênero, raça/etnia, pais e filhos, gerações, entre outras);

  27. Da luta contra a exploração sexual das jovens e dos jovens;

  28. Da luta contra o imperialismo.

  29. Lutar pela vida do Planeta Terra, compreendido como Gaia[12], através:

  30. Do desenvolvimento da consciência ecológica;

  31. Do zelo para que a água seja um direito inalienável;

  32. Da defesa da biodiversidade;

  33. Do cuidado dos biomas que existem em nosso país, tais como: Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa;

  34. Do zelo das sementes como patrimônio dos povos a serviço da humanidade.

 

[1] Evangelizar é, através do testemunho de jovens cristãos e do anúncio, ajudar outros jovens a compreender e assumir a pessoa de Jesus Cristo e o Projeto do Reino de Deus. Evangelizar é “a missão essencial da Igreja” (EN 14) que nasce da ação evangelizadora de Jesus e dos doze (EN15). A evangelização é  missão da “Igreja toda”. A Igreja tem inclusive a missão de  “evangelizar a si mesma”  (EN 15). “Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade” (EN 18).

 

[2] Estes quatro passos são intrínsecos (fazem parte) da evangelização e formam uma seqüência pedagógica a ser seguida na prática (cf. diretrizes gerais da ação evangelizadora – Doc. CNBB 71,15-16). Não confundir com os cinco passos pedagógicos do processo de formação do discípulo missionário, que são: o encontro com Jesus Cristo (fio condutor); a conversão (resposta inicial); o discipulado (amadurecimento); a comunhão (na comunidade e na fé, na esperança e no amor); e a missão (impulso de compartilhar a própria experiência). (cf. DGAE 92 e PNE – Doc CNBB 88 p. 14-15)

[3] A evangelização é uma ação eminentemente profética (cf. Doc. CNBB 80 p. 22).

[4] Reino de Deus (ou dos céus) é uma categoria teológica para designar o Projeto de Deus que não pode se realizar totalmente no processo histórico, por causa das contradições do ser humano. Ele já se realiza, no processo da história, em cada momento que o povo tem mais Vida, em que a sociedade de torna justa e solidária. Mas, esta realização parcial que está na sociedade atual é, ao mesmo tempo, sinal do Reino definitivo. Não é algo que se realiza apenas após a morte.

 

[5] Conscientizar é ajudar as pessoas a superar uma consciência intransitiva (ingênua, fechada, dogmatizada) em vista de uma consciência transitiva (crítica, histórica).

 

[6] Cultura entendida como o jeito de viver ou a forma de um povo reproduzir a sua existência.

 

[7] Militantes cristãos são jovens que, por se assumem como cristãos, se colocam a serviço da transformação da sociedade, a partir dos princípios e valores do Evangelho.

 

[8] Cf. o Documento de Aparecida, precisamos ser, ao mesmo tempo, discípulos (pessoas que optam por Jesus e se colocam a caminho) e missionários (anunciadores e forjadores do Reino de Deus e sua justiça, no mundo).

 

[9] Entendemos por “esferas do Reino” todos os espaços de militância que assumimos, além da PJR. Pode ser: numa pastoral específica (como na CPT, por exemplo), num movimento popular; num movimento sindical; num partido político ou numa organização política; entre outros.

 

[10] Projeto de Sociedade em vista da transformação social, que está em construção, pela classe trabalhadora, neste momento histórico e visa ser um passo para a construção de uma sociedade que vá além do capital. Busca a implementação de reformas estruturais e o acumulo de forças para a transformação. Nesta construção somamos forças com a Via Campesina, as Assembléias Populares, a Consulta Popular e a Articulação da Juventude do Campo e da Cidade (também conhecida como Levante da Juventude).

 

[11] Educação do Campo indica uma educação que se contrapõe a Educação pensada para o campo (como a Educação Rural) e se propõe a ser uma educação dos sujeitos do campo articulada com um projeto popular de campo e de sociedade e Educação no campo indica que ela, para respeitar a cultura camponesa,precisa acontecer no campo.

[12] Gaia quer dizer Terra viva e fecunda. A vida não está apenas sobre a Terra e ocupa partes da Terra. A Terra é uma entidade complexa que abrange a biosfera, a atmosfera, os oceanos e o solo, na sua totalidade e, como um todo, é um macro-organismo vivo que se auto-organiza e autoregula. Desequilíbrio podem causar catástrofes irreparáveis.

 

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